sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Dr. Faivre

Voltando da UFPR para casa(?) vi um poodle de sapatos e pensei que o mundo estava perdido.





Na quadra seguinte, vi uma menina que sumiu do yoga há uns meses. Ela estava de bicicleta com uma cadeirinha estofada atrás e um saco de batatas amarrado. Pensei que tem solução.


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Maintenant, Toujours

Às vezes eu me pergunto se as coisas estão assim porque eu envelheci. Não sei dizer se acho bom ou não. Eu nunca fui tão madura e clara, mas também sempre fui mais impulsiva, mais apaixonada. Me pergunto o que é melhor, se isso é uma escolha. Parece que as coisas agora são tão mais fáceis, tranquilas. Mais mornas e menos devastadoras. Eu, que sempre preferi os altos muito altos e os baixos muito baixos, ando vivendo numa estranha linha reta de emoções. E embora de monótona minha vida não tenha nada, eu tenho sentido quase que diariamente uma estranha sensação de calma.



Acho tudo isso muito chato.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Questões já batidas

Oi Blog,

Mais uma vez eu venho aqui postar minhas experiências pessoais achando que no final do post vou ter entendido um pouco mais do que ando passando.

Há alguns dias, postei algo sobre a minha relação com meus amigos, como estávamos diferentes e como algumas amizades não faziam mais sentido. Esses dias, dois eventos me fizeram repensar essas minhas relações e, consequentemente, minha relação comigo mesma e, agora, com meus preceitos.

Esse fim de semana fui para SP e um dia fui sair com um grande amigo com quem tenho muito em comum. A gente ri, fala das academias, fala tudo muito abertamente, ele (apesar de heterossexual!) tem saco para escutar o que eu penso dos homens, blá blá blá. Ele é bem legal. Mas daí aconteceu de ele inventar de querer ir no shopping e eu fui junto... Fazia uns meses que eu não ia em shopping e, talvez, quase 2 anos que eu não ia em shopping no BR. Juro, por Júpiter que é mais sacro, que eu não lembrava que uma camiseta podia custar meio salário mínimo. Quer dizer, 26% dos brasileiros (segunda uma tabela de 1997 do dieese que eu acabo de olhar) vivem com até um sálario mínimo. Isto é, brasileiros empregados com mais de 10 anos. 1/4 da população economicamente ativa do Brasil poderia comprar duas camisetas por mês e fim. E eu ali, perfumadinha no shopping. Patético.

Tão patético quanto eu ir ao shopping, é eu me sentir mal por isso e depois abrir dados do dieese para entender quão horrível eu sou. E mais, quão horríveis são as pessoas que sim, compram essas camisetas, como por exemplo esse meu super amigo. Daí, eu estou lá, já me sentindo mal por lembrar que essa diferença social existe, ainda mais mal por estar de certa forma colaborando com aquilo indo lá e olhando vitrines (ainda que seja para me espantar) e escuto esse piá comentando que não, da TNG ele não compra mais depois de mudou sei-lá-o-que (seria o estilista?) ou que as roupas da Yatchsman (acabei de procurar esse nome no google!) não duram, então também ele não compra mais.

Isso me impressiona, sabe. Eu, às vezes, acho que eu deveria ser mais parecida com os meus amigos. Eu não vou ao mac, ele quis ir em uma sanduicheria (sanduicheria!!!!!!!! lanchonete, lugar onde vende X, qualquer coisa... menos fast burgers... please!) com o maravilhoso nome de America. America, sabe? Como o Capitão.

Sério... aquilo me deprimiu. Porque as pessoas reciclam seu lixo se depois vão num lugar com o nome que o país que menos aceitou as propostas ambientais do Encontro de Copenhagen escolheu para si? Bom, todos nós, brasileiros, e por isso, americanos, sabemos que América NÃO é os estados unidos.

Nessa noite, eu fiquei muito triste. Porque as pessoas são incoerentes, porque eu sou incoerente. Eu sempre disse que não queria ser uma moralistinha que não sabe aproveitar as coisas, agora eu vou num lugar supercaro que deve ter algo de bom e não acho nada bom... acho tudo americanizado, fake, yanke. Acho tudo de plástico. Logo, eu. Que estou na minha fase bamboo-terra-pau-brasil.

Minha mãe me disse que eu me senti mal porque eu acho aquilo tudo errado e não queria colaborar. Eu nunca fui numa tourada, por isso. Nem no zôo não ando mais indo. Nem circo, nem briga de galo (veja que ecológica! não vou em briga de galo!). Agora também não quero mais ir no shopping. E fico me questionando se eu ainda acho esse meu amigo tão legal. Ele é genial, mas acha bonito que alguns esportes radicais sejam elitizados. Sabe né, motivo de segurança. (Alguém já viu pobre andar na linha? só se for na linha do trem que tem aqui perto de casa... mas com sorte mata-se todos que é para o governo ter menos gasto com programa assistencialista)

Há três semanas, eu fui jantar com um outro grande amigo (esse de muuuuitos anos). Eu pedi uma salada, sem carne. E ouvi por 10 minutos uma enxorrada de valores imbecis sobre porque eu deveria sim comer carne. (p.s.: eu não sou vegetariana! eu só não como carne em todas as refeições da minha vida) Ouvi a pérola de que se evoluímos do macaco é porque comemos carne.

E, então, esse meu amigo (que é sensível, engraçado, inteligentíssimo e muito crítico) resolve me perguntar quais são os meus motivos, depois de defender bastante arduamente os deles. Blá blá blá... contra a indústria da carne, a supremacia do ser humano, a favor da sustentabilidade, de matar o menos possível... Não, eu sou utópica e poliana. Mas alguém já me disse que eu fico uma gracinha pensando assim? Pois é, não me disseram. (esses dias me disseram que uma mulher que carrega sua própria mochila é sexy porque isso significa que ele não vai precisar carregar a dela. Achei patético.)

E continuamos lá, nosso super papo. Dois carnívoros discutindo porque não comer carne. Algo tão idiota. Quando meu segundo super amigo me diz que poxa... caçar é tão legal. Atirar émuito bom, Pum, Matou. E veja, foi só um bixo. Aliás, já conversamos sobre o plebiscito que tentou barrar a venda de armas à população? Ufa! Ainda bem que o povo brasileiro, ainda que chucro, soube defender seus interesses armamentícios e votou pelo porte de armas.

Desisti. Terminei minha esfiha de coalhada seca, peguei o ônibus (meio de transporte não só coletivo, como ecológico). Ele já tinha terminado o kebab, pegou um táxi. A pé, eram só 25 minutos.


Do meu amigo número um não desisti. Fui tomar uma cerveja num boteco pra ver se passava meu desgosto, passou, em partes. Mas eu me incomodo muito que pessoas que não comem carne pelas razões que eu coloco acima não liguem de colaborar com a indústria estado-unidense (que medo de mim... já não falo mais americana!). Ligo que elas não liguem, ligo que eu ligo e saio muito incomodada tanto pela postura das pessoas quanto pela minha.

Eu tenho consciência da falsidade desse meu discursinho moralista-marxista que é pós-eurotrip. É tudo um grande paraxodo (ainda que não pós-moderno porque eu ainda estou pré-guerra fria) que eu ainda não aprendi a lidar.

Eu odeio incoerência e odeio chamar incoerência de paradoxo achando que isso faz as coisas ficarem cults.

Estou terminando esse post depois de 5 horas ferradas de faxina na minha casa. (Queria ver algum derridiano dizer que o mundo não existe depois de lavar privada e tapete com escovinha.) E estou indo direto pro spinning. Literalmente, a pequena-burguesia fede.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Para Fujihara(1984)

Quando eu era pequena, era normal comprarmos uma latinha de refri e aproveitar o anel da latinha para descobrir quem seria o amor da nossa vida. Depois de ter bebido tudo (o que acontecia bem rápido) íamos entortando o anel e para cada lado entortado era uma letra: a, b, c, d...
Eu sempre achei esse esquema de descobrir o futuro muito bom, até porque lá por esse idade eu tinha umas quedas por um Diogo e por um Ian. Era só por um pouco mais de força no pobre anel que ele saía no D ou deixava rolar e saía I facilmente. O anel nunca passava do M, sempre quebrava antes, o maldito. Passei a infância toda apaixonada por um Rodrigo e ele nunca me deu bola graças a esse maldito anel do futuro.
Depois namorei, obviamente, um Daniel. E veio minha fase de negação do destino, da astrologia, de Deus (também com D) e, oclaro, do santo anel da latinha de refri.
Hoje, uma mulher madura e muito vivida, volto a usar a latinha de refri. Embora eu beba mais cerveja do que refri, eu não bebo muito cerveja em latinha e mais, quando estou bebendo cerveja, provavelmente tem alguém cuja inicial muito me interessa junto, e daí banco a cientista e ignoro o anel do futuro. Tenho completa convicção que o ignorando assim nunca serei um Tolkien ou um Wagner, mas parece-me que atualmente achar uma aliança perdida por aí e que caiba nesse meu dedo fino valeria mais a pena.
Claro, depois da negação do astrológico, veio a negação da pós-modernidade e estou recosturando todos os sutiãs queimados. Nessa fase machista e astrológica da minha vida, vou para academia e bebo coisas lights (a cerveja fica restringida a poucos dias na semana só para devolver meu bom humor). Há algumas semanas, estava bebendo pepsi light (porque ainda sou contra a coca nesse minha utopia infantil) e pensando como nunca vou poder ter amores da vida depois da letra M. Indo bem de levinho com o anel da sabedoria consigo chegar no M. O que descobri através de todos os Márcios e Marcelos que andaram passando na minha vida. Então meu instrutor da academia, Rafael, me disse para não beber refri nada. O que adianta ficar fazendo academia para perder peso e bebendo isso aí para ganhar celulite?
Mal sabe ele que eu não ligo para celulite e que tenho plena convicção de que homens que ligam para isso são gays ou nunca receberam um boquete decente e por isso ficaram olhando para os lados errados na hora certa. No meu mundinho reitoria-academia-boteco, gays são maioria, mas em geral eles não vêem minha bunda, então tudo bem.
Bom, depois do meu maldito instrutor com nome com R me falar para não tomar pepsi e ir tomar um del valle light, eu tive certeza de que ele é um porco capitalista. A Del Valle é da coca. Mas pensei que ice-tea é muito legal. E tem de pêssego ou limão [ou exclusivo, infelizmente =( ], tem light, vem com anel da sabedoria. Muito bom.
Lá fui eu, então, na semana passada comprar um ice-tea quando eu sabia que era o Rafael que estava cuidando da musculação.
Olha aqui meu chá. Ah muito bem, nem eu pensaria em uma opção melhor.
Internamente eu ri, né. Instrutores de academia gostam de falar obviedades.
Fui lá ficar erguendo pesinhos, olhando velhinhas e caras bombados que não me excitam e beber meu chá beeem rápido para ter mais um anel do destino a desvendar.
Eu jogo RPG, esse negócio de desvendar pode ser muito excitante.
Bebi, torci o anel... a, b, c, d, e....
Enquanto torcia o anel, pensava que o mundo é um negócio complicado. Uma vez você procura o amor da sua vida, depois seu marido, e só então busca o primeiro cara que vai beijar, para uma semana depois procurar o primeiro que vai transar. Logo, o próximo que vai transar. Em seguida, o segundo casamento. f, g, h, i.... Daqui a pouco procura um que consiga conversar sem ter um pirapaque e acha que já está bom. j, l, m, n.... Será que foi a pós-modernidade que imaculou a sagrada propriedade do anel ou fui eu que cresci como um pau que nasceu torto? o, p, q, r! Ops! R!
Veja que coisa! Instrutor maldito!
"Nem eu escolheria melhor!"
Idiota.
Se ele pensa que eu vou me casar com ele só porque estou bebendo um ice-tea,está enganadíssimo. Desci e comprei um guaraná antartica diet. L. Como sempre. Ufa. Ainda que eu não conheça agora ninguém com L que me interesse, me animei. Nunca se sabe quando alguém tem um Luís como segundo nome.
Saí da academia braba com a petulância do meu instrutor, me fazer indiretamente beber um negócio só para sair o nome dele. No entanto, um dia depois, na fila da cantina, me dei conta da grande sabedoria que eu adquirira. Se antes, com a pepsi, eu só conseguia nomes até o M e com certa dificuldade, agora com o Ice-Tea posso ir até o R. R é uma ótima letra, eu pensei.
No dia seguinte pensei em uma letra... algo pro fim da alfabeto... Não W, não V, não T. Letras que me dão ainda um certo pavorzinho. U, u é bom. Até porque tem tão pouco nome com U que se sair U vai ser mais fácil de achar o próximo piá. Ice-tea lata, ice-tea bebida, anel. U. Muito bom.
Testagem empírica. Pespi lata. Pepsi bebida. anel. G. Genial.
Ainda uma para ter certeza. Ice-tea lata. Ice-tea bebida. anel. S. Supimpa? Muito brega. S são sempre bregaS.
Corri pro banheiro. Tinha bebido muitos enlatados de uma só vez, mas enquanto mijava (o quanto uma mulher pode ser sexy falando mijava e não fazia xixi? Não sei!) percebi o quão dona do meu destino afetivo-sexual eu sou agora que tenho poder sobre o anel. Ainda que eu não desapareça quando eu o meta, escolho se meu próximo xixi vai ser de pepsi ou ice-tea.
Ainda que ter esse poder de escolha acabe um pouco com a minha utopia fetichista de ser só uma saia servindo de alvo por aí, é uma ótima forma de eu mesma me dar conta do que ando querendo. Decidir agora se vou pedir uma coca ou um ice-tea se tornou muito difícil e isso me lembra o quão conceitual eu posso ser. Faz dias que só bebo café.

Apêndice
E bebo café pensando que o A eu não vou atingir nunca.
Então termine a dissertação, enquanto eu bebo um ice-tea fugindo de todas as pepsis do mundo!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Sussuruidando

Sozinhazinha, ela foi até o quintal e plantou um rosa. Se preparava para ter febre e ver quantas letras tem etc.

domingo, 8 de novembro de 2009

Ar

"Por favor, só páre de respirar." pensou a moça enquanto ouvia respirações ruidosas entre palavras que não entendia completamente.
Escutava a respiração, tremia tentando preparar sua mente para as palavras.
Faça tudo, mas páre de respirar. Afinal, estava lá para escutá-lo, as palavras, não o ar.
Cada vez que ouvia o ar entrando imaginava porque o moço precisaria de tanto ar. Era para completar o peito...enorme e definido? Ou o coração vazio e doente? Não, não! Era para segurar um pouco mais o gozo... Aquela respiração demorada, cansada. Uma respiração que escorre de suor.
Tá quente agora. É isso, só. Tá calor e ele não está acostumado. Veio de tão longe e lá é frio. Por isso que ele sua assim.
Cada vez que o ar entrava, o peito ficava maior e ele inclinava a cabeça para trás. Poderia perder-se nesse peito. Não era pequena, mas o senso de direção era muito feminino.
Cada vez que o ar saia, ela olhava os olhos deles. Será que agora ele goza? Quando o ar acabava, as palavras também. Daí, ele respirava de novo. E o peito voltava, as palavras voltavam. Voltava o fôlego e seu corpo mexia ainda mais. Tinha medo que ele tivesse uma convulsão. Já tinha visto na tv e era assim, essas mexidas, essa respiração. Suor e baba.
Pois isso de todos terem que respirar o tempo todo é o que atrapalha. Respiração não é tão peculiar que não se reconheça. Respiração pós-gozo é uma, pré é outra. Respiração cansada e suada que não pára dá uma desesperozinho. Ainda mais quando esse idiota fecha os olhos e não se sabe se agora foi a última vez.
"Por favor, só páre de respirar."
Ruidosa, a respiração continuou, entrando e saindo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009