sábado, 9 de dezembro de 2017

Boa sorte

moeda da sorte
lançada aos ares

presa a dois destinos
por mar atravessados

para um, Maria
para outro, Real

voa e cai
predestina o fado

em terras de cegos
ler-me é pecado

domingo, 3 de dezembro de 2017

Estrado ao Oriente

Crianças bailam
Bailam no feio e sujo
e bailam
e baila!

Te mostrei o feio
aquele que não aceita mesóclise
Que começa devagarinho
e vai
vai
Por que o que a gente sabe fazer é
ir
é
rir
é sorrir
é
é
sem saber que é é ser
É um feio que de tão feio é bonito

O mais bonito que se faz
Não o que sabemos fazer
mas o que se faz
assim, desse jeito, sem nada
com tudinho ainda
sabes né?
Esse jeito, jeitinho
Que odeia o jeitinho
mas odeia não
bem encaixadinho assim...
Encaxaido de um jeito outro.
Simplemeste
incrivel
(mente)
encaixado.

Onde se enfia o que encaixa
assim
tanto
magnífico

encaixa só
Onde enfia?

Quantas regras ia PreCisar?
Nenhuma
Todas
Aquilo
Isso
Sabes
Sabes
Muito
Bem

Não a mesmo nada há funcionar
Mesmo
quando
ainda
é
pra
.

E as crianças bailam
Crianças que não são nossas
Crianças que nunca serão de
ninguém
sequer
que
entenda.

Isso
é
mesmo
engraçado
.

Diria^?, que não há nada a funcionar.
Pois
realmente, não há.
É incrível como real é não.

Não
é
mesmo
?

Mas crianças ainda bailam
E hão de bailar
Como
não?

Destino
esse
trem
que
nos
trasporta

Crianças bailam
e isso funciona
O que há mais de funcionar?
Diria eu nada.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Reflexão nº 1

Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.
Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Cantares gallegos - Rosalia de Castro

Cantares gallegos
     Rosalía de Castro

(uma poeta galega que conheci hoje
faz dois dias que aprendi que castro é um amontoado de gente
na península ibérica pré-românica com muralhas, em lugares altos
ou seguros --- nada mais apropriado como sobrenome)


- 27 -



- I -

¿Que ten o mozo?
¡Ai!, ¿que terá?
Ponme agora unha cara de inverno,
despois na fiada, ¡sonrisas de tal!
Quer que baile con el no muíño,
i aló pola vila, nin fala quisais...
¿Que ten o mozo?
Pois... ¿que tera?

Unhas veces, canciño de cego,
por onde en andare seguíndome vai,
nin hai sitio donde en non atope
un Bras con cirolas i os zocos na man.
¡Ai, que mociño!
¡Ai, que rapaz!

Noutro instante, ¡mirá que fachenda!...
atruxos que asombran ó mesmo lugar.
¡¡¡Brrr!!!, parece que pasa soberbo,
mandando nos homes su real maxestá.
Mociño, ¿es tolo?
¡Ai!, ¿si o serás?

 Eu non podo entender, meu amore,
que airiños te levan, que airiños te tran,
nin tampouco cal xeito te cadra,
tratándose, mozo, do teu namorar.
¡Ai!, ¡Dios me libre
de ti, bon Bras!

Que no meu entender te acomparo,
ó mesiño de marzo marzal:
Pola mañán, cariña de rosas;
pola tarde, cara de can.
¡Mala xuntanza
facemos! ¡¡Ai!!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Chá

se me mandaram beber amargo por que eu bebo doce?

tudo é mais ou menos amargo
mais ou menos ruim
mais ou menos não

o que faz sim?

não sei se alguém sabe
mas sei que faz-se.
mas se alguém soubesse
se alguém soubesse o que faz
eu ficaria embaixo da jaqueira aprendendo
e ouvindo e achando que estou sendo.
abraço o mestre só para ser alguém ainda no mundo.
só pra invólucros classistas e intelectuais empoeirados

até uma jaca bem grande cair na minha cabeça
e, em coma, chegar no hospital
sem espaço, nem número, sem leito

daí eu fico embaixo do pé de manga
e olho a movimentação
inútil

olho o braço quebrado que chega
olho o cigarro sujo da enfermeira limpa
olho a motoqueira de perna quebrada motocando
olho a vó de outra pessoa verdadeiramente morrendo
Ela está verdadeiramente morrendo

E eu sou só a idiota que fala "verdadeiramente"
embaixo do pé de manga
tão real quanto as dores no peito
dos docentes de sim.

domingo, 18 de junho de 2017

Inferno I


o camponês de mãos calejadas insiste em resistir
a marinheira fatigada e triste insiste em resistir
mais medo que experiência, dirão
mais dor que existência, dirão
não sabem.

pressa e juventude faltam para o amor
faltam palavras, milhas
falta sossego.

são as ondas que agitam meu peito?
agito que mora na cintura, nos pés e sobe sorrateiro e infantil
encontra montanhas e caverna que insistem em resistir
vira espuma num sorriso mais bobo que escondido
remeche meus cabelos numa tarde lilás e fria
estranhamente windless, estranhamente mágica.

eu olho paras águas, eterno espelho
silenciosas, estremecem meu rosto cansado
arrastam minha boca, diluem minha figura
quem é essa que t(r)eme?
pergunto-me em silêncio às setimentais de girassol
c'è il mezzo del cammin?

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Lapsos Paulistanos

Bentinho sou eu!

Viver em São Paulo e observar a conduta do mundo!

Eu teria um lar amoroso e responsável
na rua escura onde vivem as travestis.

De noite, venta.
Pelas manhãs, trovoeja.

Objetivos que eram ruins de doer.
Homens, chegou a vez na vida real!

deus mandou seu correio eletrônico.
olha, não faz bem pr'alma?

ok, não ventou, acredita?
mas eu muito mais que trovejei.
as chuvas de janeiro são intensas.
Rápidas.
Cheias de raios.
E consequências.

tomara que seja pura perseguição!

protagonista favorita, antagonista, SEU personagem, SUA casa 
ó, ou você acostuma ou já se acostou.

somehow I know the things are gonna change
new boundaries in the machine

- vamos vencer esta luta!
mas eu preciso de um guia.
e ele não manda e-mail.

sabe uma citação Viver é etc.

Jean-Marie: tu te tornas eternamente responsável pelos inimigos que cativas no cu. 
Tó, um pouco mais de realismo, né gente.

há verdades que são verdades e mentiras que são paulo encobre.

Abra na página 56. Escolha a 5a. frase. Publique como eu morri do coração vermelho com lista na diagonal branca e revolta acadêmica é sempre mais do mundo.

mas ele não era um idiota?